Será? Pois cheguei aqui, nas bandas do bairro do Ipiranga, faz uns 10 anos. Bairro tranqüilo, ruas calmas no entorno da Av. Nazaré. Olhava o horizonte e via a cruz no alto da igreja da FAI (Faculdades Integradas do Ipiranga). Era mais que contraste, era o caminho para o céu.
O tempo passou e três espigões bloqueram o caminho. Atingir o céu necessitava desvio. Homens trabalhavam crentes em sua plenitude naquele mar de concreto, ferro, fios e blocos de cimento. Não sabiam da barreira que criavam para se alcançar a eternidade.
Choros e lamúrios pouco resolveram. Isso continua crescendo. E para cima. Ver onde é o leste e o oeste se tornará impossível em pouco tempo. Saber onde o Sol nasce será algo acessível apenas à quem pode pagar pela cobertura. Entraremos na era da bússola como marinheiros perdidos.
O terror bate na porta. Vejo velhos abandonando suas casas para locais mais distantes. Em seu lugar entrarão prédios altíssimos a nos esconder o sol. Antigos sobrados, bombardeados por marretas, esconderão para sempre a história dos que ali viveram. Esconderão nosso passado sob toneladas de concreto.

Um comentário:
É lamentável que as nossas casas que contam histórias estão sendo destruídas por executivos endinheirados.
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